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O que a Bíblia ensina sobre a Sexta-Feira Santa?

O que a Bíblia ensina sobre a Sexta-Feira Santa?

Para começar, sugiro que ninguém critique a um irmão católico sincero por ele celebrar a Sexta-Feira Santa. Ao invés disso, devemos ensiná-lo biblicamente sobre o tema, de modo que se sinta ajudado, não criticado.

Lembre-se que, mesmo nem todos os caminhos conduzindo a Deus (Pv 14:12; Mt 7:13-14; Jo 14:6), Ele tem Seus filhos devotos em todas as denominações religiosas (Ap 18:4), não excetuando a comunhão Católica Romana, onde há muitos cristãos fieis naquilo em que acreditam.

É por isso que o Espírito Santo está preparando um povo (não uma “placa de igreja”) que se encontra espalhado nas mais diferentes igrejas, reunindo-o (Ap 18:4) para que aguarde a volta gloriosa de Jesus Cristo (Tt 2:13; Hb 9:27-28; Ap 14:1-5).

A seguir, farei algumas considerações sobre a Sexta-Feira Santa, com o intuito de ajudar aos católicos, e a conscientizar aos protestantes quanto à importância de sermos bíblicos e, ao mesmo tempo, simpáticos com as pessoas que não têm a mesma luz.

 

#1- Não há erro moral em escolher um momento para relembrar que a crucificação e morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, o “dia de preparação”:

“Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, vindo José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.” (Mc 15:42-43)

Porém, não podemos esquecer, nem deixar de praticar os ritos que Deus estabeleceu para relembrarmos da morte e ressurreição de Jesus: o batismo por imersão (Rm 6:4) e a Ceia (Jo 13:1-20; 1Co 11:17-34).

Ao mesmo tempo, devemos considerar que a chamada “Semana Santa” reúne fiéis católicos ao redor do mundo em homenagens, orações, meditações, retiros e devoção. Tais práticas, se realizadas conforme é ensinado nas Escrituras, são essenciais para uma vida espiritual saudável. Portanto, não há motivos para criticá-los por fazerem essas coisas.

#2- Para as Escrituras, não há uma Sexta-Feira Santa ou uma Semana Santa, mas apenas um dia santo: o sábado da criação

“E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera” (Gn 2:3).

O texto é claro: Deus abençoou e santificou apenas um dia, chamado de sábado (descanso) em Êxodo 20:8-11. Não fez isso com o “dia de preparação” – a sexta-feira – nem com a “semana”.

É arriscado ignorar esse fato, pois Jesus adverte: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus” (Mt 5:19. Leia também os versos 17 e 18).

#3- A Bíblia não é contra celebrar festas religiosas ou culturais

“Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação” (Jo 10:22)

Esta festa, conhecida hoje como Chanukkah, celebra a dedicação do templo em 165 a.C, depois ter sido profanado por Antíoco Epifânio, rei da Síria. A Bíblia não ordena essa festa, mas se demonstra a favor dela.

Apenas considere o seguinte: nenhum rito ou festa deve substituir a celebração semanal do sábado (Mt 5:17; Ap 14:6-7, 12), pois este sim é o único dia abençoado e santificado por Deus desde o Éden (Gn 2:1-3), e que nos acompanha desde a semana da criação.

#4- Irmãos protestantes que observam o domingo não podem falar mal dos católicos que celebram a “Sexta-feira Santa” (e o domingo). Afinal, não há mandamento bíblico para ambas as celebrações.

Como eu disse anteriormente, não é errado escolher um dia para recordar eventos importantes, incluindo aqueles relacionados à fé cristã. Também não há erro em ir à igreja em qualquer dia da semana (muito pelo contrário – veja Atos 2:46-47). Todavia, isso não pode ser usado como justificativa para negligenciar ao 4º mandamento da Lei Moral de Deus em Êxodo 20:8-11.

Sendo que no mundo protestante o sábado também é negligenciado, como se tivesse sido “abolido” (confronte essa ideia com Mt 5:17-19; Rm 3:31; 8:1-4) por supostamente ser “de origem judaica” (veja Gn 2:1-3; Is 56:1-8, etc.), um observador do domingo não se encontra numa posição favorável para criticar um católico que observa a Sexta-Feira Santa.

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#5- Irmãos adventistas do sétimo dia, judeus e outros guardadores do sábado bíblico não podem se sentir mais “santos” do que os outros.

Sem dúvidas, Deus foi muito claro em Isaías 56:4 em dizer que tanto judeus quanto gentios que guardam o Sábado, “escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança”. Porém, como argumenta Paulo em Romanos 3:9: “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado”

Todos temos dificuldades em relação à Lei de Deus e, se não fosse a graça maravilhosa de Jesus em morrer no nosso lugar, nenhum de nós seria salvo (Jo 3:16; Gl 2:21; 3:11; Ef 2:8-9).

Por isso, longe de nos sentirmos “melhores” e “mais santos”, deveríamos ter mais humildade, pois temos mais luz sobre o assunto e, com isso, maior responsabilidade (Lc 12:47-48)

Sendo assim, precisamos transmitir aos outros cristãos, de forma amorosa (2Tm 2:24-26) aquilo que aprendemos sobre a guarda do sábado. Afinal, privilégios são acompanhados de responsabilidades.

Concluindo: por sermos todos pecadores, tanto observadores do sábado bíblico quanto do domingo precisam continuar crescendo “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3:18).

Espero que estas breves considerações tenham lhe ajudado a refletir um pouco sobre o assunto.

Que “nosso cordeiro pascal”, Jesus Cristo (1Co 5:7), seja o centro de nossas vidas em todos os dias da semana.

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